quinta-feira, 7 de maio de 2009

Efêmero

"Os teus olhos, outrora nunca cansados dos meus,
Ocultam-se tristes sob pálpebras cerradas
Porque o nosso amor declina."
E ela disse:
"Embora o nosso amor esteja em declínio, fiquemos
Mais uma vez junto à solitária margem do lago
Unidos nessa hora de tranquilidade
Quando a cansada e infeliz criança, a Paixão, adormece.
Como parecem distantes as estrelas, e distante
O nosso primeiro beijo e tão velho o meu coração!"
Pensativos caminharam por entre as folhas murchas
Enquanto ele, tomando-lhe a mão, lentamente respondeu:
"A paixão muitas vezes cansou os nossos corações inconstantes."


Os bosques cercavam-nos e as folhas amarelas
Caíam como débeis meteoros na escuridão e um coelho
Velho e aleijado passou de repente a coxear pela vereda;
O Outono tombava sobre ele. E agora eles ali estavam
Uma vez mais na solitária margem do lago:
Voltando-se, viu que ela lançara folhas mortas,
Colhidas em silêncio e orvalhadas como os seus olhos,
Sobre o seio e os cabelos.

"Oh, não lamentes", disse ele,
"O nosso cansaço; outros amores nos aguardam;
Odeia e ama ao longo das serenas horas.
Aguarda-nos a eternidade; as nossas almas
São amor e um contínuo adeus."



William Butler Yeats

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