quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A Esfinge

Revesti-me de mistério
Por ser frágil,
Pois bem sei que decifrar-me
É destruir-me

No fundo não me importa
O enigma que proponho.

Por ser mulher e pássaro
E leoa,
Tendo forjado em aço
Minhas garras,
É que se espantam
E se apavoram.

Não me exalto.
Sei que virá o dia das respostas
E profetizo-me clara e desarmada.

E por saber que a morte
É a última chave,
Adivinho-me nas vítimas
Que estraçalho.


Myriam Fraga
A Mariposa

Borboleta pálida
amorosa da chama
não conhece o solo mundo de cores.
Tateia o que não vê.

Seu pó dourado e triste
é como uma lembrançado que pressente.

E voa para a morte
que é sua vida.




Dora Ferreira

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O menino cuja pipa nunca subia

Pobre Charlie Brown. Todos nós sentimos compaixão por ele, porque ele simboliza todas as nossas frustrações, inseguranças e fracassos na vida. O que dizer de alguém que não recebeu um cartão sequer no Dia dos Namorados, jamais conseguiu fazer voar uma pipa porque todas enganchavam em alguma árvore, nunca ganhou um jogo de beisebol (e nem chutar as bolas seguradas pela Lucy) e, principalmente, jamais teve coragem para falar com a garotinha ruiva e confessar o seu amor?

Questiona Charlie em uma das tiras: "mas o amor não existe para fazer a gente feliz?" Nem sempre, Minduim, nem sempre.

sábado, 20 de março de 2010

Tanta tristeza nas águas, na face que refletia o espelho frágil da lua, miragem e melancolia.
A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
A Mariposa

Borboleta pálida
amorosa da chama
não conhece o sol
o mundo de cores.
Tateia o que não vê.
Seu pó dourado e triste
é como uma lembrança
do que pressente.
E voa para a morte
que é sua vida.








Dora Ferreira

terça-feira, 16 de março de 2010

Vem há mim,
a cada noite que passa,
um murmúrio mudo
e replicente
que incide
em dizer-me
uma triste verdade.

Como um passaro
que aos sussurros
diz ao pé do ouvido
que não terei nada alem
volupia e solidão,

E que o outro lado
da cama, ao ouvorecer,
Sempre estará vazio...

Wagner B Santos

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

De pasión mortal moria
Dicen que por las noches
No más se le iba en puro llorar
Dicen que no comia
No mas se le iba en puro tomar
Juran que el mismo cielo
Se extremecia al oir su llanto
Como sufria por ella
Que hasta en su muerte
la fue llamando
Que una paloma triste
Muy de mañana le vá a cantar
A la casita sola
Con las puertitas de par en par
Juran que esa paloma
No és otra cosa mas que su alma
Que todavia la espera
A que regrese la desdichada
Cucurrucucú
Paloma
Cucurrucucú
No llores
Las piedras jamás
Paloma
Que van a saber
De amores