segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Clarrise abriu o Mar
com as mãos
para seus sonhos naufragar.
Eu ja estou naufragado
e há em mim todo
este Vazio...
E as duas mãos quebradas

Não digo nada
O sorriso ainda é o mesmo,
o mesmo sem duvida.

Mas meus Olhos
estes farsantes
tão bem treinados
já não mais me servem
pois você os quebrou.

Condenado a esperar
por um navio distante
que traga quem
sabe a tão
prometida felicidade

Sozinho, sentado sobre
os escombros do que
restou espero,
espero e espero....
Sem nenhuma esperança.


Wagner B. Santos

quinta-feira, 5 de agosto de 2010


Não Sei Quantas Almas Tenho


Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.

Continuamente me estranho.

Nunca me vi nem acabei.

De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,

Quem sente não é quem é,


Atento ao que sou e vejo,

Torno-me eles e não eu.

Cada meu sonho ou desejo

É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem;

Assisto à minha passagem,

Diverso, móbil e só,

Não sei sentir-me onde estou.


Por isso, alheio, vou lendo

Como páginas, meu ser.

O que segue não prevendo,

O que passou a esquecer.

Noto à margem do que li

O que julguei que senti.

Releio e digo : "Fui eu ?"

Deus sabe, porque o escreveu.



Fernando Pessoa
Contabilidade
Felicidade se conta com conta-gotas
Razão inversa das lágrimas que revertemos
Parco retorno de um investimento tão incerto
Que é de se pensar se vale a pena
Igualdade se conta no contracheque
Acionistas espocando a silibina
Especulando tanto que arde
A alta do preço do preservativo de baixa qualidade
Fraternidade se conta em genocídios
Homens fardados em missões saneadoras
E as estatísticas em frenética hemorragia
Manchando os aventais dos eleitores
Na nossa era
Na nossa era
Os varões exibem vis calculadoras
Na nossa era
Na nossa era
Carros, cartões de crédito, metralhadoras
Um milhão a mais um milhão a menos
Um milhão a mais um milhão a menos
Dez milhões a mais dez milhões a menos
Cem milhões a mais cem milhões a menos
Danilo Moraes
A Esfinge

Revesti-me de mistério
Por ser frágil,
Pois bem sei que decifrar-me
É destruir-me

No fundo não me importa
O enigma que proponho.

Por ser mulher e pássaro
E leoa,
Tendo forjado em aço
Minhas garras,
É que se espantam
E se apavoram.

Não me exalto.
Sei que virá o dia das respostas
E profetizo-me clara e desarmada.

E por saber que a morte
É a última chave,
Adivinho-me nas vítimas
Que estraçalho.


Myriam Fraga
A Mariposa

Borboleta pálida
amorosa da chama
não conhece o solo mundo de cores.
Tateia o que não vê.

Seu pó dourado e triste
é como uma lembrançado que pressente.

E voa para a morte
que é sua vida.




Dora Ferreira

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O menino cuja pipa nunca subia

Pobre Charlie Brown. Todos nós sentimos compaixão por ele, porque ele simboliza todas as nossas frustrações, inseguranças e fracassos na vida. O que dizer de alguém que não recebeu um cartão sequer no Dia dos Namorados, jamais conseguiu fazer voar uma pipa porque todas enganchavam em alguma árvore, nunca ganhou um jogo de beisebol (e nem chutar as bolas seguradas pela Lucy) e, principalmente, jamais teve coragem para falar com a garotinha ruiva e confessar o seu amor?

Questiona Charlie em uma das tiras: "mas o amor não existe para fazer a gente feliz?" Nem sempre, Minduim, nem sempre.

sábado, 20 de março de 2010

Tanta tristeza nas águas, na face que refletia o espelho frágil da lua, miragem e melancolia.
A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
A Mariposa

Borboleta pálida
amorosa da chama
não conhece o sol
o mundo de cores.
Tateia o que não vê.
Seu pó dourado e triste
é como uma lembrança
do que pressente.
E voa para a morte
que é sua vida.








Dora Ferreira

terça-feira, 16 de março de 2010

Vem há mim,
a cada noite que passa,
um murmúrio mudo
e replicente
que incide
em dizer-me
uma triste verdade.

Como um passaro
que aos sussurros
diz ao pé do ouvido
que não terei nada alem
volupia e solidão,

E que o outro lado
da cama, ao ouvorecer,
Sempre estará vazio...

Wagner B Santos